quarta-feira, 23 de abril de 2014

_Cora Coralina.


"AQUELA DO JARDIM" por Edmar Gomes

E no começo foi tão difícil quanto pensavam que era.
Em certo momento, dava-se conta daquela pequena esfera.
Intrusa, corrupta;
Mas, dentre todas, a mais bela.

Num jardim longínquo de toda a sociedade,
Seja dura, esfera, não implore piedade.
São pétalas tão lindas, de modo cores da raridade,
Corre jovem no campo de tanta simplicidade.

Em uma tarde monótona nesse jardim do qualquer,
Jogaram-te do alto, com força, sem fé.
Machucou tanto você imagine a mim,
Esfera mais bela próxima do fim.

Viram-te, fatídica, jogada ao chão,
Surrada dos ventos que lhe negam perdão.
Mas a ti eram, antes, fiéis, tudo importa;
Tanto faz, no agora, querem-te morta.

INTRO - "O CÓDIGO" por Edmar Gomes


 Decidi criar o blog por iniciativa ambiental [wtf?]. Pois em certo momento, me veio em mente que o local/ambiente que frequento é um canal aberto para minhas possíveis ideias. Sim, é uma ampla camada de inspirações - se observada com outros olhos e intenções. 
 E uma delas me ajudou a criar a poesia a seguir:

_CÓDIGO

Pessoa viva, morta, meia vida.
O código do erro é a ferida;
Crer no meio em transparência.
O código do todo é a transcendência.

A mulher nua, deitada na cama.
O código do casal é daquele que ama;
O homem de pé, observando-a serenar.
O código do sexo é o vulgar.

Gritos no escuro, uma paixão desesperadora.
O código da falsidade é a traidora;
O branco é paz, sem amostra de cor, ausência da dor.
O código do preto, obscuro, é o clangor.

Façam as cores, imprensas da arte.
O código dos homens é o mártir;
Todos os ossos unidos em sorte.
O código do fim, certamente, é a morte.